CASA DA POETISA ALDA GUERREIRO - Associação Cultural Santiago do Cacém

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|  CASA DA POETISA ALDA GUERREIRO
Cronologia: Não conseguimos precisar a data de construção do edifício
Situação: Rua Dr. Franscisco Beja da Costa
Propriedade: Pertence à familia da poetisa;

Chronology: We are unable to specify the date of construction of the building
Location: Rua Dr. Franscisco Beja da Costa
Property: Belongs to the poet's family;
 


Chronologie :Nous nesavons pas préciser la date de construction du bâtiment
Emplacement :Rua Dr. Franscisco Beja da Costa
Propriété :Appartient à la famille de la pétesse;

CASA DA POETISA ALDA GUERREIRO  

Sobre Alda Guerreiro  

Alda Guerreiro nasceu em Santiago do Cacém, no n.º 32 da Rua Dr. Francisco Beja  da Costa, a antiga Rua Direita, a 6 de Janeiro de 1878, filha de Manuel do Espírito San to Guerreiro, proprietário, pintor e amante das artes, natural de Castro Verde, e de Catari na Maria Francisca, natural da Abela.  

Adere às ideias republicanas, ainda antes da proclamação da República. A sua irmã Ra faela havia-se casado em 1899 com António Manuel Freire de Andrade, farmacêutico, um  dos fundadores da Comissão Municipal do Partido Republicano Português, em 1908.  

Se publica os primeiros versos em revistas como “A Enciclopédia das Famílias”, passa  a colaborar com jornais republicanos, como o Pedro Nunes, de Alcácer do Sal, onde, a  par dos poemas, publica artigos de apologia da educação popular, um dos temas caros  da propaganda republicana – “Ensinar a ler é muito, mas é necessário mais; deve-se ao  mesmo tempo saber incutir nas almas das crIanças ideias de liberdade e de justiça”, es
crevia nas vésperas do 5 de Outubro de 1910.  

Funda, por isso, em 1 de Janeiro de 1910 a Associação Liberal de Santiago do Ca cém, que mantém a Escola Liberal, pelo menos até 1914, com um ideário pedagógico  que se afastava do ensino oficial da época – educação física, biblioteca escolar e museu,  horta pedagógica, visitas de estudo…  

Terá vivido dolorosamente o processo de fragmentação do Partido Republicano Portu guês, com a afirmação de correntes conservadoras; como a desilusão com a incapacida de dos governos republicanos concretizarem as ideias que haviam defendido. Parece  afastar-se da vida e da exposição pública.  

Alda Guerreiro casa em Fevereiro de 1916 com Constantino Machado, oficial do exérci to. Ela tem 39 anos e ele 43. São padrinhos, a irmã Rafaela e o cunhado Freire de Andra de ou a Condessa de Avilez.  

Com presença numa antologia de Poetisas Portuguesas, de 1917 e com alguma colabo ração em “A Folha de Sines”, em 1919, é, no entanto, já depois do golpe militar de 28 de  Maio de 1926, que institui uma ditadura militar, que colabora com mais regularidade nos  dois jornais que em 1931-32 têm ligações a Santiago do Cacém, o “Nossa Terra”, con servador e o Renovação, republicano e socialista, como, uns anos depois, no “Portugal  Feminino”. Por esses anos aceita ainda colaborar no “Álbum Alentejano”, de Pedro  Muralha, onde reproduz uma conferência sobre Santiago do Cacém, proferida aos micro fones do Rádio Clube Português.  

Contudo, não se desinteressou das questões do ensino. Manteve em sua casa uma esco la de bordados para as meninas, mas também uma Escola Livre, por onde passaram de zenas de crianças e jovens.
Já viúva e bastante debilitada, faleceu a 1 de Fevereiro de 1943. Adequadamente, amigos  generosos numa homenagem em 1947 colocaram na parede da sua casa uma placa de  mármore, que ainda lá está, lembrando que “propagou o amor à Pátria, à República e aos  humildes”.  

Vila Nova de Santo André, Março de 2022  
João Madeira

 
 
SEMENTEIRA

Na encosta de uma serra havia um carrascal
Onde nascia o tojo, a esteva, um matagal.
Um dia entrou com êle a foice roçadoura;
Meteram a charrua e fez-se a lavoura.
Foi revolvida a terra e feita a sementeira.
Algum tempo depois, já parecia um mar
O vento sobre o trigo ao longe a ardear!
Foi crescendo, crescendo; a espiga bem dourada
Com o calor do estio em pouco foi ceifada.
E produziu bom pão o terreno maninho,
Onde apenas vencia a urze e o rosmaninho!


Agora quando eu olho essa encosta da serra,
Vejo que é uma lição que nos ensina a terra!


A sociedade é o monte. A escola é o arado.
Quando abrindo o sulco, olhai vá bem guiado...
Depois é semear. Será bela a colheita
Se a semente fôr bôa, e a lama fôr bem feita.


Também hão de dar pão essas searas novas
E darão muita luz à humanidade inteira...


Abri a terra, abri, fazei a sementeira...

 
Alda Guerreiro
 
 
 
 
 A MINHA TERRA

No inverno a vida apraz-nos meditar.

Quando ao entardecer, aqui na Minha Terra
Se vê sumir o sol no longe azul do mar,
O pensamento vôa e vai de serra em serra
No campo do passado às vezes a sonhar.

O oceano lembra os feitos arrojados
Do velho Portugal!
Aquem, alvos casais, em fundo verdejante
De grande pinheiral,
Fala-nos de trabalho e vida, actividade,
Saúde e alegria, e sol, e liberdade...



ABOUT ALDA GUERREIRO

Alda Guerreiro was born in Santiago do Cacém, at 32 Rua Dr. Francisco Beja da Costa, former Rua Direita, on January 6, 1878, daughter of Manuel do Espírito Santo Guerreiro, owner, painter and lover of the arts, born in Castro Verde, and Catarina Maria Francisca,born in Abela.

She adheres to republican ideas, even before the proclamation of the Republic. Her sister Rafaela had married in 1899 António Manuel Freire de Andrade, pharmacist, one of the founders of the Municipal Commission of the Portuguese Republican Party, in 1908.

If she published her first poems in magazines such as A Enciclopédia das Famílias, she began to collaborate with republican newspapers, such as Pedro Nunes, by Alcácer doSal, where, alongside the poems, he published articles in favor of popular education, one of the dear themes of the republican propaganda – “Teaching to read is a lot, but more is needed; one must at the same time know how to instill ideas of freedom and justice, in the souls of children” she wrote on the eve of October 5, 1910.

Therefore, on January 1, 1910, she founded the Liberal Association of Santiago do Cacém, which maintained the Liberal School, at least until 1914, with a pedagogical ideology that departed from the official teaching of the time – physical education, school library and museum, pedagogical garden, study visits...

She will have painfully lived through the process of fragmentation of the Portuguese Republican Party, with the affirmation of conservative currents; such as disillusionment with the inability of republican governments to materialize the ideas they had defended. She seems to withdraw from life and public exposure.

Alda Guerreiro marries Constantino Machado, an army officer, in February 1916. She is 39 years old and he is 43. The godparents are sister Rafaela and brother-in-law Freire de Andrade or the Countess de Avilez.

With a presence in an anthology of Poetisas Portuguesas, from 1917, and with some collaboration in A Folha de Sines, in 1919, it was, however, already after the military coup of 28 May 1926, that instituted a military dictatorship, she collaborated with more regularity in the two newspapers that in 1931-32 had links to Santiago do Cacém, “Nossa Terra”, conservative and “Renovação”, republican and socialist, as, a few years later, in “Portugal Feminino”. During those years, she also agreed to collaborate on “Álbum Alentejano”, by Pedro Muralha, where she reproduced a lecture on Santiago do Cacém, given to the microphones of “Rádio Clube Português”.

However, she was not disinterested in teaching issues. She kept an embroidery school for girls in her home, but also a Free School, where dozens of children and young people passed.

Already a widow and quite weakened, she died on February 1, 1943. Appropriately, generous friends in a tribute in 1947 placed a marble plaque on the wall of her house, which is still there, remembering that she “propagated love for the Fatherland, the Republic and to the humble”.

Vila Nova de Santo André, March 2022

João Madeira
(Translation of Sérgio Pereira Bento)
À PROPOS D’ALDA GUERREIRO

Alda Guerreiro est née à Santiago do Cacém, au 32 Rua Dr. Francisco Beja da Costa, ancienne Rua Direita, le 6 janvier 1878, fille de Manuel do Espírito Santo Guerreiro, propriétaire, peintre et amoureux des arts, né à Castro Verde, et de Catarina Maria Francisca, née à Abela.

Elle adhère aux idées républicaines, avant même la proclamation de la République. Sa sœur Rafaela avait épousé en 1899 António Manuel Freire de Andrade, pharmacien, l'un des fondateurs de la Commission Municipale du Parti Républicain Portugais, en 1908.

S'i elle publie ses premiers vers dans des revues comme “A Enciclopédia dasFamílias”, elle commence à collaborer  avec des journaux républicains, comme Pedro Nunes, d'Alcácer do Sal, où, aussi que des poèmes, elle publie des articles en défense de l'éducation populaire, l'un des les thèmes chers à la propagande républicaine – «Apprendre à lire c'est beaucoup, mais il en faut plus; il faut en même temps savoir insuffler dans l'âme des enfants les idées de liberté et de justice», écrit-elle à la veille du 5 octobre 1910.

Par conséquent, le 1er janvier 1910, elle fonda l'Association Libérale de Santiago do Cacém, qui maintint l'école libérale, au moins jusqu'en 1914, avec une idéologie pédagogique qui s'écartait de l'enseignement officiel de l'époque - éducation physique, bibliothè-que scolaire et musée, jardin pédagogique, visites d'étude...

Elle aura douloureusement vécu le processus de fragmentation du Parti Républicain Portugais, avec l'affirmation des courants conservateurs; comme la désillusion face à l'inca-pacité des gouvernements républicains à concrétiser les idées qu'ils avaient défendues. Il semble se retirer de la vie et de l'exposition publique.

Alda Guerreiro se marie en février 1916 avec Constantino Machado, un officier de l'armée. Elle a 39 ans et il en a 43. Les parrains et marraines sont la sœur Rafaela et le beau-frère Freire de Andrade ou la comtesse de Avilez.

Présent dans une anthologie de Poetisas Portuguesas, à partir de 1917, et avec une certaine collaboration dans “l’ A Folha de Sines”, en 1919, c'est cependant déjà après le coup d'État militaire du 28 mai 1926 qu'institue une dictature militaire, qu’elle collabore avec plus de régularité dans les deux journaux qui en 1931-32 avaient des liens avec Santiago do Cacém, “Nossa Terra”, conservateur et Renovação, républicain et socialiste, comme, quelques années plus tard, dans Portugal Feminino. Au cours de ces années, elle accepte également collaborer à “l’Álbum Alentejano”, de Pedro Muralha, où elle reproduit une conférence sur Santiago do Cacém, donnée aux micros du Rádio Clube Português.

Cependant, elle n'était pas désintéressée des questions d'enseignement. Elle entretenait une école de broderie pour filles dans sa maison, mais aussi une école libre, où passaient des dizaines d'enfants et de jeunes.

Déjà veuve et assez affaiblie, elle meurt le 1er février 1943. À juste titre, des amis généreux dans un hommage en 1947 ont placé une plaque de marbre sur le mur de sa maison qui est toujours là, rappelant qu'elle "a propagé l'amour pour la Patrie, la République et aux humbles”.

Vila Nova de Santo André, mars 2022

João Madeira
(Traduction de Sérgio pereira Bento)
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