RUINAS DE MIRÓBRIGA - Associação Cultural Santiago do Cacém

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|  RUÍNAS DE MIROBRIGA
Classificação: Estação Arqueológica.
Cronologia: Séculos I-IV.
Situação: Na Herdade dos Chão Salgados, num monte fronteiro ao do castelo, tendo pelo meio Santiago do Cacém.
Propriedade: Pertence ao Estado.
Referências: Almeida e Belo (2008); DGPC (consultado em 2021).
Classification: Archaeological Station.
Chronology: I-IV centuries.
Location: At “Herdade dos Chãos Salgados”, on a hill opposite the castle, with Santiago do Cacém in the middle.
Property: Belongs to the State.
References: Almeida and Belo (2008); DGPC (consulted 2021).
 

Classification : Station archéologique.
Chronologie : I-IV siècles.
Emplacement : “Herdade dos Chão Salgados”, sur une colline en face du château, avec Santiago do Cacém au milieu.
Propriété : Appartient à l'Etat.
Références : Almeida et Belo (2008) ; DGPC (consulté 2021).

Estas ruínas, com uma área de cerca de 2 km2, pertencem a uma povoação fundada no final da idade do Bronze, posteriormente romanizada e, por fim, abandonada no século IV.
 
Conhecidas desde século XVI, as ruínas foram objeto de escavação no início do século XIX, a mando do então bispo de Beja, D. Frei Manuel do Cenáculo; mas só na década de 1940 se iniciaram trabalhos de pesquisa com uma base científica e sistemática.
 
As razões para a existência de uma povoação neste local prendem-se com a necessidade de assegurar o controlo territorial de uma vasta área com relevância económica, nomeadamente em recursos marítimos, agrícolas e mineiros. Miróbriga tornar-se-ia uma típica cidade romana, com um imponente forum, uma complexa zona termal e, nos arredores próximos, um hipódromo de grandes dimensões.
Curiosamente, a urbanização de Miróbriga na época romana não obedeceu às tradicionais linhas ortogonais, em virtude da anterior ocupação e da própria topografia do local, organizando-se em ruas sinuosas que irradiam a partir da zona mais elevada. Nesta secção mais elevada de Miróbriga, conhecida localmente por “Castelo Velho”, situa-se o antigo forum, erguido em meados do século I d.C. No seu centro é visível um templo, que se crê ser dedicado ao culto imperial, e um outro, consagrado a Vénus. No forum também se encontram vestígios de um templo da Idade do Ferro que os Romanos terão mantido por respeito a um culto já celebrado no local.

Na encosta sul da acrópole, que corresponderia a uma área comercial, destacam-se dois edifícios: uma loja, possivelmente um talho, que ostenta um pequeno relevo figurando uma cabeça de touro; e uma eventual taverna, que ainda mantém uma sala de refeições revestida por pinturas a fresco. Existem outras construções com vestígios de decorações a fresco em Miróbriga, mas o curioso é não terem sido encontrados quaisquer mosaicos.
Ao fundo de uma rua ladeada por ciprestes, de lajeado ainda completo, surgem as antigas termas – um dos conjuntos mais vastos e bem conservados do país.

Construídas entre os séculos I e II d.C., são compostas por dois edifícios dispostos em L. Cada um dos edifícios apresenta as divisões habituais neste tipo de construções públicas: uma zona de entrada, com salas de vestiário e jogos; uma zona de banhos frios (frigidarium); e outra de banhos aquecidos (caldarium e tepidarium). Uma grande latrina servia os dois edifícios. Próximo deste complexo termal encontra-se uma pequena ponte em arco pleno.
Afastado da povoação, a cerca de 1 km, está o antigo hipódromo, exemplar único no nosso território. Construído na segunda metade do século II, deve ter tido bancadas em materiais perecíveis, pois apenas subsistem vestígios de uma antiga porta triunfal.

No ano 2000 foi edificado, por iniciativa do Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), um centro de acolhimento e interpretação onde também se expõem alguns dos artefactos recolhidos nas escavações.

These ruins, with an area of ​​about 2 km2, belong to a village founded at the end of the Bronze Age, later Romanized and, finally, abandoned in the 4th century.
 
Known since the 16th century, the ruins were excavated in the early 19th century, under the orders of the then Bishop of Beja, D. Frei Manuel do Cenáculo; but it was not until the 1940s that research work began on a scientific and systematic basis.
 
The reasons for the existence of a settlement in this location are linked to the need to ensure territorial control of a vast area with economic relevance, namely in maritime, agricultural and mining resources. Miróbriga would become a typical Roman city, with an imposing forum, a complex thermal area and, in the nearby surroundings, a large hippodrome.
 
Interestingly, the urbanization of Miróbriga in Roman times did not follow the traditional orthogonal lines, due to the previous occupation and the very topography of the place, being organized in winding streets that radiate from the highest area. In this higher section of Miróbriga, known locally as “Castelo Velho”, there is the old forum, built in the middle of the 1st century AD. In its center is visible a temple, believed to be dedicated to the imperial cult, and another one, consecrated to Venus. In the forum there are also traces of an Iron Age temple that the Romans have kept out of respect for a cult already celebrated in the place.
 
On the southern slope of the acropolis, which would correspond to a commercial area, two buildings stand out: a shop, possibly a butcher, which bears a small relief depicting a bull's head; and a possible tavern, which still has a dining room covered with frescoes. There are other buildings with traces of fresco decorations in Miróbriga, but the curious thing is that no mosaics were found.
 
At the end of a street flanked by cypresses, still complete with paving stones, rise the old thermal baths – one of the largest and most well-preserved complexes in the country. Built between the 1st and 2nd centuries AD, they are made up of two buildings arranged in an L. Each of the buildings has the usual divisions in this type of public construction: an entrance area, with changing rooms and games; a cold bath area (frigidarium); and another with heated baths (caldarium and tepidarium). A large latrine served both buildings. Near this thermal complex is a small full-arch bridge.
Away from the village, about 1 km, is the old hippodrome, a unique example in our territory. Built in the second half of the 2nd century, it must have had benches in perishable materials, as only vestiges of an ancient triumphal door remain.
 
In 2000, at the initiative of the Portuguese Institute of Architectural Heritage (IPPAR), a reception and interpretation center was built, where some of the artefacts collected in the excavations are also exhibited.

Ces ruines, d'une superficie d'environ 2 km2, appartiennent à un village fondé à la fin de l'âge du bronze, plus tard romanisé et, finalement, abandonné au IVe siècle.
 
Connues depuis le XVIe siècle, les ruines ont été fouillées au début du XIXe siècle, sous les ordres de l'évêque de Beja de l'époque, D. Frei Manuel do Cenáculo ; mais ce n'est que dans les années 1940 que les travaux de recherche ont commencé sur une base scientifique et systématique.
 
Les raisons de l'existence d'une implantation à cet endroit sont liées à la nécessité d'assurer le contrôle territorial d'une vaste zone d'intérêt économique, notamment en ressources maritimes, agricoles et minières. Miróbriga deviendrait une ville romaine typique, avec un forum imposant, une zone thermale complexe et, dans les environs proches, un grand hippodrome.
 
Fait intéressant, l'urbanisation de Miróbriga à l'époque romaine n'a pas suivi les lignes orthogonales traditionnelles, en raison de l'occupation précédente et de la topographie même du lieu, s'organisant en rues sinueuses qui rayonnent depuis la zone la plus élevée. Dans cette partie supérieure de Miróbriga, connue localement sous le nom de "Castelo Velho", se trouve l'ancien forum, construit au milieu du 1er siècle après J.-C. En son centre est visible un temple, censé être dédié au culte impérial, et un autre un, consacré à Vénus. Dans le forum se trouvent également les traces d'un temple de l'âge du fer que les Romains ont conservé par respect pour un culte déjà célébré là-bas.
 
Sur le versant sud de l'acropole, qui correspondrait à une zone commerciale, deux bâtiments se détachent : une boutique, éventuellement une boucherie, qui porte un petit relief représentant une tête de taureau ; et une éventuelle taverne, qui possède encore une salle à manger couverte de fresques. Il existe d'autres bâtiments avec des traces de décorations à fresque à Miróbriga, mais ce qui est curieux, c'est qu'aucune mosaïque n'a été trouvée.
 
Au bout d'une rue flanquée de cyprès, encore agrémentée de pavés, s'élèvent les anciens thermes, l'un des complexes les plus vastes et les mieux conservés du pays. Construits entre le Ier et le IIe siècle après J.-C., ils sont constitués de deux bâtiments disposés en L. Chacun des bâtiments présente les divisions habituelles de ce type de construction publique : un hall d'entrée, avec vestiaires et jeux ; une zone de bain froid (frigidarium); et une autre avec bains chauffés (caldarium et tepidarium). Une grande latrine desservait les deux bâtiments. Près de ce complexe thermal se trouve un petit pont en plein arche.
A l'écart du village, à environ 1 km, se trouve l'ancien hippodrome, un exemple unique sur notre territoire. Construit dans la seconde moitié du IIe siècle, il devait avoir des bancs en matériaux périssables, car seuls subsistent les vestiges d'une ancienne porte triomphale.
 
En 2000, à l'initiative de l'Institut portugais du patrimoine architectural (IPPAR), un centre d'accueil et d'interprétation a été construit, où sont également exposés certains des objets collectés lors des fouilles.
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