| IGREJA MATRIZ
Classificação: Templo.
Cronologia: Séculos XIII-XXI.Situação: Adossada ao perímetro sudeste das muralhas do castelo.
Propriedade: Pertence ao Estado, de acordo com os princípios que decorrem da Concordata de 1940, embora seja utilizada pela paróquia de Santiago do Cacém.
Referências: Almeida e Belo (2008); DGPC (consultado em 2021); Matias e Sobral (2001).
Esta igreja foi construída no século XIII pelos cavaleiros espatários e a sua história ficou marcada por obras sucessivas que lhe alteraram por completo a feição exterior medieval. As primeiras ocorreram no início do século XIV (entre 1314 e 1336) sob o patrocínio da donatária de Santiago do Cacém, D. Vataça Lascaris, uma princesa bizantina, ama e camareira-mor da filha de D. Dinis e de D. Isabel – a infanta que viria a ser mulher do monarca de Castela, D. Fernando IV. Em 1530, dão-se as segundas obras na igreja, desta vez sob a proteção de Alonso Peres Pantoja, comendatário da vila. Em 1704, ocorre uma nova intervenção, mas meio século depois o templo é profundamente danificado pelo terramoto de 1755. A sua reconstrução leva 34 anos (1796-1830) e alterou-lhe a traça primitiva (a antiga capela-mor passou a situar-se na porta principal) e as dimensões. Um novo sismo em 1858, volta a causar estragos. E no dia 9 de março de 1895, é a vez de um violento incêndio consumir totalmente os madeiramentos e danificar as cantarias da igreja, obrigando ao seu encerramento e à transferência da paroquial para o espaço da Igreja de Nossa Senhora do Monte, onde se mantém até 1902. Um novo incêndio, no ano 1912, destrói a capela e obriga, uma vez mais, à mudança de local da paróquia, agora para a Igreja da Misericórdia, onde permanece até 1924. Graças ao restauro de 1933, da autoria do diácono-chefe da igreja, António Rebelo dos Anjos, recuperou-se todo o espaço interior da capela-mor, sem descurar as fachadas, espaço circundante e torre sineira.
A fachada principal, antecedida por uma majestosa escadaria, resulta da reconstrução de 1791, assinalada na porta. Da traça original resta um pórtico lateral romano-gótico, designado “Porta do Sol”, adornado com capitéis zoomórficos e coroado pelas cruzes de São Tiago. Na fachada norte prevalece a torre sineira.
Interiormente, as três naves de abóbada de berço – a central de maiores dimensões que as duas laterais – estão apoiadas em colunas octogonais de cantaria. A antiga cabeceira alberga a antiga capela-mor, atualmente transformada em coro alto, onde se pode admirar um magnífico painel em alto-relevo gótico, do século XIV, que representa Santiago combatendo os mouros e que, segundo a tradição, foi doado aos frades por D. Vataça. Na nave lateral norte situa-se o batistério (antiga capela do Santo Lenho) revestido de azulejos policromos; o Altar do Santo Lenho, onde se destaca o relicário cruciforme em ouro com três chaves e a pintura oitocentista representando Santa Helena segurando a Vera Cruz; e, ainda, o altar de Nossa Senhora da Conceição, com um curioso retábulo de mármores fingidos, característicos das últimas décadas do século XVIII. No lado oposto, encontra-se o Altar de Nossa Senhora do Carmo; a Capela do Santíssimo Sacramento (antiga capela de Santo Estevão) que apresenta uma Última Ceia e um silhar de azulejos; o Altar de Nossa Senhora do Rosário; e a antiga Capela de Nossa Senhora da Conceição.
A igreja detinha um grande número de sepulturas dispersas pelo pavimento. No entanto, nas sucessivas reconstruções que sofreu, foram poucas as poupadas. Entre as ainda existentes encontram-se a sepultura gótica de Álvaro Mendes de Brito e seus herdeiros; a lousa tumular de João Falcão Murzelo de Mendonça e mulher, D. Francisca Teresa Nobre Pacheco; e a sepultura seiscentista do pároco Gomes Falagre Vargo.